segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Leningrado

Gabriel Byrne testemunha o horror da guerra
Foto: Google Image

Curiosa (e boa) opção nas locadoras de DVD, o drama de guerra é dirigido por um russo, Aleksandr Buravsky, falado boa parte do tempo na língua e até os créditos de apresentação são exibidos no alfabeto cirílico, vigente naquele país, o que reforça a curiosidade. O título da cidade que, hoje, com a queda do comunismo, voltou a se chamar São Petersburgo, não acontece à toa.
Tudo é ambientado lá, num dos episódios mais cruéis da Segunda Guerra Mundial. Engraçado (ou triste?) é que os americanos venderam heroísmo com filmes e livros sobre o assunto, mas quem encarou Hitler e os nazistas na marra foram mesmo os russos, naquele tempo ainda chamado de soviéticos.
A personagem principal, porém, é inglesa, a jornalista Kate Davis (Mira Sorvino), enviada ao local para fazer a cobertura. Lá ela descobre o lado mais duro do conflito, uma das decisões mais desumanas de Hitler, o cerco a Leningrado, que cortou o abastecimento de comida à cidade. São chocantes as cenas de gente, incluindo crianças, morrendo de fome. Gabriel Byrne também tem destaque como o chefe de Kate, que luta para resgatá-la do horror. (Ronaldo Victoria)

domingo, 29 de novembro de 2009

Entre os Muros da Prisão

Emile Berling vive o menino que enfrenta a repressão
Foto: Google Image
O drama francês dirigido por Christian Faure (Les Hauts Murs) teve no Brasil uma forçada de barra na tradução do título a fim de forçar uma semelhança com o ótimo Entre os Muros da Escola. Mas isso é o de menos, já que também vale a pena. A história é ambientada numa época em que a França vivia em guerra. Relata o descaso que vitimava órfãos, crianças enviadas para centros educacionais vigiados, que nada mais eram que cadeias.
A violência era a norma no ambiente, com chefes malvados, surras habituais, o amigo protetor, a gangue que exige obediência e o garoto que não suporta a pressão e se mata. São clichês, sim, mas se mostram verdadeiros dentro do que o filme aborda.
O herói é Treguier (Emile Berling), que chega ao local depois de uma série de rebeldias sem saber o que esperar. Atriz consagrada, Carole Bouquet faz participação especial num papel impossível de despertar simpatia: a mãe que, pressionada pelo novo marido, entrega o filho para a instituição. Para ser descoberto nas locadoras. (Ronaldo Victoria)

sábado, 28 de novembro de 2009

O Guerreiro Gengis Khan

Tadanobu Asano interpreta o guerreiro mongol
Foto: AllMovie Photo
A gente se convencionou a associar a Gengis Khan a expressão “guerreiro sanguinário”. Claro, já que a história dos orientais que chega até nós foi criada por ocidentais. Pois este épico produzido no Cazaquistão, dirigido por Sergei Bodrov, e que foi candidato ao Oscar de filme estrangeiro, mostra que não é nada disso. Ou não é bem assim. Começa que Gengis Khan não é um nome, mas uma expressão que significa “grande líder”.
O nome real é Temujin (Tadanobu Asano), que nasce nas estepes da Mongólia em 1992. Filho do Khan da época, assassinado pelos inimigos, ele enfrenta todo tipo de violência até conseguir se torna ele mesmo o líder. Vinte anos depois, se torna o comandante capaz de rivalizar com o império chinês.
Se passou para história como genocida, o diretor Bodrov pinta um retrato humano de Temujin, como homem que perdoa inimigos, adota filhos que não são seus e fiel a mesma mulher, prometida a ele ainda na infância. Na parte técnica, a produção também faz bonito, copiando sem desvantagem as cenas de ação hollywoodianas. (Ronaldo Victoria)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Incendiário

Ewan McGregor: entre o amor e a culpa
Foto: Google Image

É bom avisar que se trata de um filme triste. Aliás, bastante triste. O drama dirigido por Sharon Maguire (Incendiary, Inglaterra, 2008) fala sobre culpa, remorso, depressão, entre outros sentimentos pesados. Tudo é ambientado em Londres, num conjunto habitacional que a personagem principal, não identificada por nome e vivida por Michelle Williams, odeia.
A moça também não gosta nada de sua vida, tanto que quando o filho de quatro anos dorme, vai a bares à caça de amores breves. Numa dessas escapadas, conhece um jornalista bonitão, Jasper (Ewan McGregor), e vai de cara para a cama com ele. O segundo encontro entre eles acontece num apartamento vazio, enquanto o marido, o policial Lenny (Nicholas Gleaves), e o filho estão no estádio vendo um jogo de futebol.
Nisso, a transmissão é interrompida para mostrar um atentado terrorista no local. A moça descobre que o marido e o filho foram mortos. O trauma faz com que mergulhe numa crise brava. Além do candidato a amante, o amigo do marido Terrence (Matthew Macfadyen), tentam ajudá-la. (Ronaldo Victoria)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Contos do Dia das Bruxas

Cena das crianças no ônibus chama a atenção
Foto: AllMovie Photo

A época do Hallowen passou, mas a dica ainda vale. Já que a data tem mais sentido nos Estados Unidos (ainda bem), nada impede que o filme seja aproveitado por aqui independente do mês. Aliás, o filme dirigido por Michael Dougherty —— que tem como título original Trick ‘r Treat, ou doces ou travessuras, frase-chave da festa —— não resulta numa grande produção de terror, mas ao menos garante uma diversão descompromissada.
Produzido por Bryan Singer, diretor de X-Men e produtor da série House, apresenta quatro histórias sangrentas que se interligam. Tudo se passa numa pequena cidade americana nas vésperas do Halloween. Os personagens são um professor psicopata Killer (Dylan Baker), uma garota (Anna Paquin) ansiosa pela "primeira vez, um velho rabugento (Brian Cox) e uma turma que tenta passar um trote assustador num garoto nerd.
O estilo do diretor faz com que as cenas apresentem uma mistura de terror com humor. O elenco é bom e segura as pontas, os efeitos especiais são bem feitos e a história do ônibus cheio de crianças fantasiadas chama a atenção. Vale uma olhada. (Ronaldo Victoria)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Meu Pai é Mãe de Equipe

George Lopez: Didi Mocó em dólares
Foto: Google Image

A capinha do DVD desta comédia familiar traz como destaque a frase "George Lopez apresenta". Mas nós, brasileiros, temos todo o direito de perguntar: quem é ele, pai ou irmão da Jennifer? Nada disso, Lopez é um dos cômicos de maior sucesso na televisão americana. Ele sempre vive personagens um pouco bobos mas de bom coração, uma espécie de Didi Mocó em dólares. Uma sitcom com seu nome durou seis temporadas e rendeu a ele o prêmio de maior "pai televisivo" do ano.
Feitas as apresentações, vamos à comédia dirigida por William Dear (Mr. Troop Mom, EUA, 2009). Aqui Lopez interpreta adivinhem que tipo de papel? Um paizão amoroso e preocupado, claro. Eddie é um advogado que perdeu recentemente a esposa e não tem muito tempo para a filha de 13 anos, Naomi (Daniella Bobadilla).
Doido para se aproximar da garota, ele topa ser acompanhante dela e das amigas durante um acampamento de verão, já que toda equipe precisa de uma mãe. O roteiro é cheio de clichês, com a velha rivalidade entre os times e com uma chefe de acampamento megera, vivida por Jane Lynch. Mas você esperava algo diferente? (Ronaldo Victoria)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vice Imoral

Michael Madsen e Daryl Hannah: entre a lei e o vício
Foto: Google Image

O que seria um vice imoral? O José Alencar contando uma piada suja? O Joe Biden, vice do Obama, tendo um caso com a secretária? Nada disso, para você ver como a tradução do título é idiota. Vice, nome original do suspense dirigido por Raul Inglis, significa vício, só isso. Por que não deixar o DVD apenas com esse título? Vá entender essas distribuidoras.
O roteiro discute os problemas causados pelo vício entre policiais, justamente a profissão encarregada de combatê-lo. O personagem principal é Walker (Michael Madsen, ator que somente este ano já atuou em 18 filmes, quase nenhum de muita expressão), que vem trabalhando no limite. Tudo se complica quando uma negociação é mal resolvida: 40 quilos de heroína desaparecem após uma transação e os policiais que investigam o sumiço são mortos um a um.
Ao tentar resolver o assunto, Walker enfrenta os fantasmas de seu passado. E sua parceira Salt (Daryl Hannah, que envelheceu mal e está com um penteado esquisito) mais atrapalha do que ajuda. O resultado, se não é especial, ao menos não aborrece o espectador. (Ronaldo Victoria)